Foto: Rian Lacerda
Santa Maria encerrou o primeiro trimestre de 2026 com apenas quatro homicídios registrados, o menor número para o período desde 2012, consolidando uma mudança significativa no cenário da violência letal no município. Os dados, obtidos a partir de levantamentos com base em registros da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, colocam o início deste ano como um dos mais seguros da série histórica recente.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Em janeiro e fevereiro e março de 2026, foram apenas quatro homicídios, contra 17 no mesmo período de 2025. Em janeiro, dois assassinatos foram cometidis. Em fevereiro, a cidade não teve registros de assassinatos. Em março, dois homicídios foram registrados na cidade.
Confira o comparativo
Outro dado que chama atenção é o comportamento mensal da violência. Fevereiro de 2026 terminou com zero homicídios, sendo o primeiro fevereiro sem assassinatos em pelo menos 15 anos. A sequência sem mortes violentas chegou a 48 dias consecutivos, uma das maiores já registradas na cidade, superando marcas recentes, como os 32 dias sem homicídios em 2023.
Santa Maria fechou o trimestre com quatro homicídios, mantendo ainda assim um patamar considerado historicamente baixo. O número reforça a tendência de queda já observada ao longo de 2025, ano em que o município também registrou redução expressiva, passando de 66 homicídios em 2024 para 36 em 2025.
Os quatro homicídios de 2026
Os casos registrados neste início de ano ocorreram em diferentes contextos, sem um padrão único.
- Leonardo Detetive de Assis Taborda, 30 anos
Foi a primeira vítima de homicídio de 2026 em Santa Maria. Ele foi morto a tiros na madrugada de 4 de janeiro, dentro de um apartamento no residencial Noel Guarany, no Bairro Urlândia. Segundo a investigação, o autor do crime seria o ex-companheiro da mulher que estava com a vítima no momento do fato. O suspeito invadiu o imóvel e efetuou um disparo que atingiu o rosto de Taborda. - Paulo José Chaves dos Santos, 35 anos
O segundo homicídio ocorreu no dia 13 de janeiro, no Bairro Tancredo Neves. Conforme informações, o caso teve origem em uma desavença familiar. A Brigada Militar foi acionada e, ao chegar ao local, a vítima teria avançado contra os policiais. Durante a intervenção, ele foi baleado e morreu no local. - Luiz Fernando Machado de Oliveira, 57 anos
O terceiro caso foi registrado no dia 3 de março, encerrando uma sequência de quase 50 dias sem homicídios na cidade. Oliveira foi atingido por disparos de arma de fogo dentro de casa, na Travessa do Chaminé, no Bairro Passo d’Areia. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), mas não resistiu aos ferimentos. O principal suspeito seria o ex-companheiro da atual namorada da vítima, que fugiu após o crime. - Robson Rodrigo Saldanha Abadi, 44 anos
O quarto e último homicídio do trimestre ocorreu no dia 6 de março, no Bairro Carolina. O corpo da vítima foi encontrado por moradores no Arroio Cadena. De acordo com a Polícia Civil, Abadi teria se envolvido em uma briga com um adolescente, que teria agredido a vítima e arrastado o corpo até o local onde foi encontrado.
Queda sustentada e fatores apontados
A redução dos homicídios em 2026 não é vista como um fato isolado. Segundo o delegado regional da Polícia Civil, Sandro Meinerz, o cenário é resultado de uma série de medidas adotadas ao longo dos últimos anos, com intensificação recente. Entre os fatores apontados estão o reforço do policiamento ostensivo e o aumento de abordagens preventivas, principalmente em áreas com maior incidência de tráfico de drogas
- Esse indicador é fruto do trabalho da Polícia Civil, especialmente da Delegacia de Homicídios, mas também das delegacias que atuam no combate ao tráfico de drogas, que é uma das principais fontes de financiamento dos grupos criminosos - explica.
Outro ponto considerado estratégico foi a transferência de lideranças criminosas para outros presídios do Estado no início do ano. A medida, segundo Meinerz, contribuiu para desarticular canais de comunicação e reduzir a capacidade de organização de grupos criminosos na cidade.
- Quando tiramos de Santa Maria as lideranças dos grupos criminosos, conseguimos cessar aquilo que eram as respostas imediatas aos conflitos, as vinganças. Ao cortar canais de comunicação e enfraquecer essas estruturas, mexemos diretamente na dinâmica que gerava mortes - finaliza.